O Ego no Volante e o KPI no Precipício

 A Epidemia do Viés de Confirmação na Gestão Brasileira

Imagem criada por IA dentro da proposta do texto apresentado. A pessoa na imagem tinha razão.

Se existe uma commodity em abundância nas salas de reunião da Faria Lima e arredores, não é o talento ou a visão de futuro: é a necessidade de ter razão. No Brasil, parece que admitir um erro de estratégia é visto como uma fraqueza moral, e não como uma correção de curso necessária para a sobrevivência do negócio.

A Racionalidade Administrativa... de Conveniência

O conceito de Racionalidade Administrativa parece ter sido mal interpretado por aqui. Em vez de buscarmos a decisão "satisfatória" baseada em dados (como proporia Herbert Simon), muitos gestores preferem a decisão que satisfaz o próprio espelho. O resultado? Um uso patológico do Viés de Confirmação.

Para os menos familiarizados com o termo (ou para quem está ocupado demais postando vlog de rotina matinal), o viés de confirmação é aquele filtro mental seletivo que faz você ignorar todas as métricas negativas e abraçar aquele único gráfico de vaidade que sustenta sua "intuição genial". 

Por que o Gestor Brasileiro Prefere "Ter Razão" a "Ter Lucro"?

  1. Cultura do "Eu Acho": Dados são tratados como sugestões, enquanto o "felling" do sócio-fundador é tratado como dogma religioso.
  2. Câmaras de Eco Corporativas: O gestor médio se cerca de "sim-men" que validam suas heurísticas de julgamento falhas, criando um vácuo de pensamento crítico.
  3. Dissonância Cognitiva: Aceitar que a estratégia de expansão foi um fracasso exige um processamento emocional que muitos C-levels simplesmente não possuem. É mais fácil culpar o mercado, a logística, a equipe, a tia do café ou um humilde alinhamento planetário.

O Custo da "Razão"

A conta chega, e ela é alta. Quando o racional administrativo é substituído pelo "desejo de não ser contestado", a inovação morre e a eficiência operacional vira folclore. O mercado global não é gentil com quem confunde convicção com teimosia.

Se você gasta mais tempo procurando provas de que está certo do que testando hipóteses para descobrir onde está errado, parabéns: você não é um gestor, é apenas um torcedor do próprio erro. "Eu me amo, não posso mais viver sem mim!"

Menos aplausos internos, mais dados desconfortáveis. É o mínimo que se espera de quem senta na cadeira da liderança. O que mais escuto é "ninguém entrega números reais".

O cemitério de empresas está cheio de empresas e gente que morreu "estando certa". T'Santos

O que chamam de 'convicção', muitas vezes, costuma ser apenas desonestidade intelectual com um bom branding. O viés de confirmação e a desonestidade intelectual vivem em um feedback loop maligno: a pessoa identifica a realidade, mas escolhe o conforto da mentira para liderar. É o charlatanismo corporativo elevado ao estado de arte. Porém, deixarei isso para outro artigo.

Suce$$o para nós! 

Por: Tiago MKT

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Artigo postado no LinkedIn: https://linkedin.com/pulse/terceiriza%C3%A7%C3%A3o-do-c%C3%A9rebro-nascem-os-papagaios-algoritmo-tiago-santos-ygivf/

Atualização: 21/06/2026 - 15:30
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