Para vender narrativas e livros o povo anda fazendo a IA acabar com o mundo

Existe uma distância olímpica entre o delírio escatológico de ex-funcionários de laboratórios de IA chorando em podcasts para vender livro e a implacável e entediante lei da termodinâmica.


Imagem criada por IA e pensada por um humano.

Essa cruzada apocalíptica que promete o fim da humanidade por obra de um algoritmo superinteligente até data marcada ignora um pequeno detalhe técnico: a inteligência artificial não roda à base de pânico moral e engajamento no LinkedIn, mas de uma quantidade de energia bruta que faria a matriz energética global rir de nervoso e logo em seguida colapsar. 

Para alimentar os superclusters de datacenters que supostamente vão orquestrar a rebelião das máquinas, o planeta precisaria de uma expansão de infraestrutura elétrica que hoje esbarra na incompetência burocrática de governos, na escassez crônica de transformadores de alta tensão, na falta de cobre e na leve insignificância de que a maior parte da energia mundial ainda depende de fontes fósseis, logística de transmissão e redes existentes antiquadas. A Skynet não vai nascer se a subestação local cair toda vez que o bairro inteiro ligar o ar-condicionado no verão.

Os profetas do juízo final digital adoram pintar a IA como um deus onipotente, mas esquecem que a inteligência artificial mais avançada do mundo ainda depende de refrigeração industrial colossal, milhões de litros de água e uma linha de transmissão que não colapse com uma ventania forte. Enquanto os visionários discutem a ética do extermínio humano em painéis caros, as concessionárias de energia estão lutando para impedir que os servidores de hospitais pifem por falta de manutenção básica.

No fim das contas, ironicamente, a humanidade não será salva de sua própria ruína tecnológica por comitês de regulação ou pela boa vontade de bilionários de tecnologia, mas sim pela nossa gloriosa e intransponível incompetência sistêmica em gerenciar infraestrutura pesada e sua logística energética precária.

No fim das contas, tudo isso serve para vender livros, criar narrativas, gerar audiência em podcasts e chover postagens apocalípticas de teorias da conspiração dignas de fãs de O Vingador do Futuro. T'Santos

Mais uma vez, falta conhecimento. Posso afirmar que os debates relacionados à ética, à privacidade e aos direitos autorais serão bem mais úteis; contudo, por não acabarem com o mundo, não geram engajamento e, por consequência, não interessam.

Suce$$o para nós! 

Por: Tiago MKT

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Atualização: 02/10/2026 - 21:00
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